Que saudades! – Idianara Lira Navarro

Idianara Lira Navarro
 
Quando li o poema “Meus Oito Anos” de Casimiro de Abreu, confesso que não apreciei muito sua forma em consequência da constante repetição dos “ques”, entretanto gostei do retrato que o autor construiu para expressar o saudosismo dos tempos de sua infância. Porém, o maior impacto que este poema me causou foi despertar as sublimes lembranças de uma adorável amiga da escola, a qual faleceu com 18 anos.
 
Essa perda me causou um profundo sofrimento, agravado pelo triste desfecho do fim do meu primeiro amor. Em seu último ano de vida, nos tornamos muito íntimas: procurávamos o primeiro emprego juntas e nos visitávamos com frequência. Nessas ocasiões, passávamos horas divagando sobre os presentes que a vida poderia nos reservar e tudo o que desejávamos ser e conquistar.
 
Mas, infelizmente, ela não teve tempo para concretizar seus sonhos e faleceu antes de realizá-los. Em seu lugar, ficou apenas uma infinita saudade e ternas recordações dos momentos que passamos juntas. Após desfiar este rosário de lembranças, decidi transformar cada conta em uma palavra e assim criar um simples e modesto poema, intertextualizando com o de Casimiro de Abreu, para homenageá-la:
 
Que saudades!
 
(em memória de Cibele Martins da Rocha)
 

Oh! Que saudades eu tenho
Da minha adolescência vivida,
Da minha amiga querida
Que os anos não trazem mais!


Medos, sonhos e alegrias…
Naquelas tardes corriqueiras,
À sombra de duas árvores trigueiras,
Permeadas de imensa nostalgia.

Como eram belos os dias
Do despertar da maturidade!
E, apesar da pouca idade,
Já surgia em nosso interior:
O céu — confiável ouvinte,
O mundo — um sonho almejado,
Nossas almas — tão cheias de vida,
Até que a fatalidade nos tocou.

Que dor, que perda, que despedida,
Que momentos de agonia!
Naqueles tristes dias,
Naquela terrível realidade…


O céu tornou-se lúgubre
A terra — de aromas pútridos,
O mar — revolto em sofrimento,
E a lua — embriagada de dissabor.

Oh! Minha doce amiga!
Oh! Saudade sem fim!
Tão frágil era tua vida,
E, tão forte a tua luz!


Agora é a saudade que impera.
Eu te perdi — e não compreendo:
Por que partiste? Por que morreste,
Se eras tão grande, minha amiga?!

Apaixonada por literatura, filmes, séries e um bom café, é licenciada em Letras e fundadora do blog Encanto Literário, onde atua também como criadora de conteúdo. Participou de diversas antologias publicadas pela Peculiar Editora e trabalha como preparadora e revisora textual freelancer.

E-mail: contato@encantoliterário.com.br

3 Comments

  • Simone

    7 de maio de 2012 at 22:58

    Parabéns Idia, pela homenagem que você fez para Cibele, a cada palavra uma emoção, lembranças, aí estou até angustiada…. Que saudade dela, lembro do tempo da escola que faziamos trabalho na casa dos meus pais e comiamos bolo de cenoura, até raspavamos a forma, que tempo bom….. Saudades imensas… Por isso que devemos dar valor as pessoas e dizer o quanto são importantes em nossas vidas sempre, pois não sabemos o dia de amanhã, como foi a perda de nossa amiga….
    Cibele que estejas ao lado do papai do céu e obrigada por ter feito parte da minha vida!!!
    Saudades, saudades, saudades eterna!!!!!

  • Idianara Lira

    29 de maio de 2012 at 14:57

    Oi Simone, muito obrigada pelo carinho! Realmente as palavras possuem o poder de nos encantar e foi isso que busquei quando escrevi esta postagem. O sentimento de saudades que trago n´alma, é muito forte… Mas sei também que a Cibele está sempre concosco em nossos corações e em nossas memórias.

  • Idianara Lira

    29 de maio de 2012 at 14:59

    Obrigada Sidnei! Perder alguém é algo extremamente marcante para qualquer pessoa e o mais dificil é aprender a conviver com a saudade…

ESCREVA UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Post Anterior Próximo Post