Navegante Navegou no veleiro dos livros. Desembarcoue conferiu. E o mundo que viunão era o que imaginou. (Helena Kolody) HELENA KOLODY nasceu na cidade de Cruz Machado, no Paraná, no dia 12 de outubro de 1912. Grande parte de sua vida foi dedicada à poesia, sua obra teve grande repercussão…
Poesia Brasileira
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Identificação Eu me diluí na alma imprecisa das coisas.Rolei com a Terra pela órbita do infinito,Jorrei das nuvens com a torrente das chuvasE percorri o espaço no sopro do vento;Marulhei na corrente inquietadora dos rios,Penetrei a mudez milenária das montanhas;Desci ao vácuo silencioso dos abismos;Circulei na seiva das plantas,Ardi no…
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Quartetos Desdenho os teus passosRetórica triste:Sorrio na almaDe ti nada existe Eu morro e remorroNa vida que passaEu ouço teus passosCompasso infernal Nasci para a vidaDe morte vivimas tudo se acabasilêncio. Morri (Ana Cristina Cesar) ANA CRISTINA CESAR (1952-1983) nasceu no Rio de Janeiro. Formada em Letras pela PUC-Rio, mestre em…
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Soneto Pergunto aqui se sou loucaQuem quer saberá dizerPergunto mais, se sou sãE ainda mais, se sou eu Que uso o viés pra amarE finjo fingir que finjoAdorar o fingimentoFingindo que sou fingida Pergunto aqui meus senhoresquem é a loura donzelaque se chama Ana Cristina E que se diz ser…
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Tu queres sono: despe-te dos ruídos Tu queres sono: despe-te dos ruídos, edos restos do dia, tira da tua bocao punhal e o trânsito, sombras deteus gritos, e roupas, choros, cordas etambém as faces que assomam sobre atua sonora forma de dar, e os outros corposque se deitam e se…
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Estou atrás do despojamento mais inteiroda simplicidade mais ermada palavra mais recém-nascidado inteiro mais despojadodo ermo mais simplesdo nascimento a mais da palavra. (Ana Cristina Cesar) ANA CRISTINA CESAR (1952-1983) nasceu no Rio de Janeiro. Formada em Letras pela PUC-Rio, mestre em Comunicação pela UFRJ e em Teoria e Prática de…
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As três letras de mãe Ela tem o poder de carregartoneladas de amor e de ternura,uma infinidade de bravurae uma luz que jamais vai se apagar,pois seu brilho é capaz de iluminaro caminho que vamos percorrer.Se arrisca pra poder nos protegerNão importa por onde a gente for.Nas três letras de…
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O Homem Público n.° 1 (Antologia) Tarde aprendibom mesmoé dar a alma como lavada.Não há razãopara conservareste fiapo de noite velha.Que significa isso?Há uma fitaque vai sendo cortadadeixando uma sombrano papel.Discursos detonam.Não sou eu que estou alide roupa escurasorrindo ou fingindoouvir.No entantotambém escrevi coisas assim,para pessoas que nem sei maisquem…