Reparos Algumas coisasquando se quebramsão fáceis de consertar:uma xícara lascadauma estatueta de gessoum sapato velhouma receita que desandaou uma amizade arruinada.Ainda que guardemas marcas do remendo,é possível que essas marcastenham um certo charmecomo algumas cicatrizes.Mas experimente consertarum poema que estragou. (Ana Martins Marques) ANA MARTINS MARQUES nasceu em novembro de…
Segunda Poética
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O Encontro Combinamos de nos encontrar num livrona página 20, linhas 12 e 13, ali onde se diz queprivar-se de alguma coisatambém tem seu perfume e sua energia combinamos de nos encontrar num mapadepois da terceira dobraentre as manchas de umidadee a cidade circulada de azul combinamos de nos encontrarna…
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Esconderijo Estas são palavras que eu nãodeveria dizerpalavras que ninguémdeveria ouvirque elas permanecessem no silênciode onde vêmno fundo escuro da línguacheio de doçura e ruídoscom o ranço informuladodos segredospor via das dúvidas escondi-as aquineste poemaonde ninguém as vai encontrar (Ana Martins Marques) ANA MARTINS MARQUES nasceu em novembro de 1977, em…
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Pausemos-nos Nós moramos mesmo é nas entrelinhasNos silêncios dos intervalosSomos feitos de uma voz que grita e uma vozque calaComo música…A magia não está no que se ouveMas no exato instante da pausa (Juliana Valentim – Palavras que dançam – pág. 67 – 2014 – All Print Editora) JULIANA VALENTIM é…
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Intervalos Sim, dizem as línguasEla o amouPor todos os dias da sua vidaSem pular nenhumNos nublados e nos de solMais ainda nos de chuvaEm todos os intervalosO universo conspirouMais contra do que a favorAinda assim, dizem as línguasEla o amouPor todos os dias de sua vida (Juliana Valentim – Palavras…
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O Sopro No fundoQueremos apenas um coração batendo saudávelAmigos de riso fácilFamília que tudo sabeUma porta que se abreE alguém que caminhe com a genteFazendo samba e amorAté que velhinhos, de repenteO mundo, num sopro, se acabe… (Juliana Valentim – Palavras que dançam – pág. 21 – 2014 – All…
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Canção Romântica Quando eu morrer (antes de ti) não sei se aindavou sentir a tua mão na minha, o fogoda tua vida fundido com o meu.Mesmo assim, estejas tu distante numa rotaalheia,sei que estarás comigo nesses instante,mão na mão, boca na boca, colhendo,não um último suspiro, mas um beijoinaugural, a…
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Canção do Caleidoscópio Quando achei que era tempo de sossego,jorraste nas minhas veiascomo um vento sagrado, um mar perdido.Quando esperei que tudo tivesse sidovivido, sofrido e chorado,amadureceu esta fruta em meu deserto. Quando pensei chegar no fim de todos os corredores,esta porta se abriu: sei que estás alia desenhar paisagens…
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Domesticar para não ser devorado Não é preciso consensonem arte,nem beleza ou idade:a vida é sempre dentroe agora.(A vida é minhapara ser ousada.) A vida pode florescernuma existência inteira.Mas tem de ser buscada, tem de serconquistada. (Lya Luft – Perdas & Ganhos – 34.ª edição – 2009 – Editora Record)…